Capítulo 07 – Quando estiveres no mundo serás mundano?
Cap. 07 – Quando estiveres no mundo serás mundano?
Se viu num vitrine. Não dentro dela, apenas viu seu reflexo olhando fixamente para ele mesmo, interpolado por vários outros reflexos apressados caminhando pra nenhum lugar. Sentia-se desconexo, notava sua imagem opaca borrada e diluída em cores nada vivas; Olhava-se e a impressão se agravava: agora já sabia que soava como um si bemol após um brilhante mi; o mundo lhe era estranhíssimo e tinha certeza que a mesma opinião o mundo também tinha, respeitosamente, dele.
A condição humana lhe fora dada como uma bênção; Seus intocados sentimentos, novinhos e ainda na embalagem - exalando um cheiro de plástico ainda, inclusive - estavam prontos para serem potencialmente usados para sua fortuna ou ruína, conforme razões que sempre ou nunca desconhecemos agissem em sua recém inaugurada vida. E o arauto de seu estreante aparato humano foi uma certeira flechada na barriga. Ao menos assim imaginou ser golpeado quando – sem saber do que se tratava – sentiu fome. Por mais ingênuo que fosse, sabia que se mordesse um pedaço de pão doce com creme, açúcar e uma eventual goiabada, saciaria, em parte, esta besta-fera que lhe roia as forças gradativamente. Lembremos que Clauto trouxe consigo apenas suas roupas (uma calça de brim desgastada e poída, porém limpa, e uma camisa verde de tecido grosso) e objetos pessoais de pouco ou nenhum valor de troca. Guiado por esse maravilhoso sentido que é o olfato, dirigiu-se ao lugar de onde exalava o perfume do manjar dos deuses. O boteco estava cheio.
“Estou com fome” “O que vai querer?” “Qualquer coisa” “Isso aqui saiu agora há pouco” “Sim, é o que quero!” . Agarrou uma coxinha embebida em óleo de soja e recheada com as partes menos nobres possíveis daquilo que um dia foi um frango. Se malandro fosse, diria que a iguaria estava ali há muito esperando suas dentadas, quase predestinadamente. O homem que o serviu pôs para Clauto uma tulipa de chope cheia de um refresco aguado e doce. Era um oásis no deserto refrescar a glote soterrada naquela profusão de massa e frango desfiado. O líquido pareceu inundar todo seu corpo e lhe trouxe a primeira sensação de bem estar cá nesta terra. Sentiu que seu corpo trabalhava para assimilar a entrada daqueles elementos, porque alimentos não era certo que fossem. Mas a fome ignora o que lhe abranda. Satisfeito, Clauto dirigiu-se à saída. Não esperava ser confrontado com aquela pergunta. “Meu camarada... vai pagar não?”
“Dinheiro não tenho” “Como é que a gente faz, então?” “Cheguei agora e nada tenho” “Me dá qualquer coisa aí” “Qualquer coisa é a fortuna de quem não tem nada, senhor” “Some daqui antes que eu te arrebente a cara, vagabundo” Clauto não entendeu a frase na plenitude de seu significado, mas não hesitou em retomar o caminho da saída. Desnecessário dizer que o medo tomou conta de si. E o olhar indiferente de alguém tomou conta de toda a cena.
Se viu num vitrine. Não dentro dela, apenas viu seu reflexo olhando fixamente para ele mesmo, interpolado por vários outros reflexos apressados caminhando pra nenhum lugar. Sentia-se desconexo, notava sua imagem opaca borrada e diluída em cores nada vivas; Olhava-se e a impressão se agravava: agora já sabia que soava como um si bemol após um brilhante mi; o mundo lhe era estranhíssimo e tinha certeza que a mesma opinião o mundo também tinha, respeitosamente, dele.
A condição humana lhe fora dada como uma bênção; Seus intocados sentimentos, novinhos e ainda na embalagem - exalando um cheiro de plástico ainda, inclusive - estavam prontos para serem potencialmente usados para sua fortuna ou ruína, conforme razões que sempre ou nunca desconhecemos agissem em sua recém inaugurada vida. E o arauto de seu estreante aparato humano foi uma certeira flechada na barriga. Ao menos assim imaginou ser golpeado quando – sem saber do que se tratava – sentiu fome. Por mais ingênuo que fosse, sabia que se mordesse um pedaço de pão doce com creme, açúcar e uma eventual goiabada, saciaria, em parte, esta besta-fera que lhe roia as forças gradativamente. Lembremos que Clauto trouxe consigo apenas suas roupas (uma calça de brim desgastada e poída, porém limpa, e uma camisa verde de tecido grosso) e objetos pessoais de pouco ou nenhum valor de troca. Guiado por esse maravilhoso sentido que é o olfato, dirigiu-se ao lugar de onde exalava o perfume do manjar dos deuses. O boteco estava cheio.
“Estou com fome” “O que vai querer?” “Qualquer coisa” “Isso aqui saiu agora há pouco” “Sim, é o que quero!” . Agarrou uma coxinha embebida em óleo de soja e recheada com as partes menos nobres possíveis daquilo que um dia foi um frango. Se malandro fosse, diria que a iguaria estava ali há muito esperando suas dentadas, quase predestinadamente. O homem que o serviu pôs para Clauto uma tulipa de chope cheia de um refresco aguado e doce. Era um oásis no deserto refrescar a glote soterrada naquela profusão de massa e frango desfiado. O líquido pareceu inundar todo seu corpo e lhe trouxe a primeira sensação de bem estar cá nesta terra. Sentiu que seu corpo trabalhava para assimilar a entrada daqueles elementos, porque alimentos não era certo que fossem. Mas a fome ignora o que lhe abranda. Satisfeito, Clauto dirigiu-se à saída. Não esperava ser confrontado com aquela pergunta. “Meu camarada... vai pagar não?”
“Dinheiro não tenho” “Como é que a gente faz, então?” “Cheguei agora e nada tenho” “Me dá qualquer coisa aí” “Qualquer coisa é a fortuna de quem não tem nada, senhor” “Some daqui antes que eu te arrebente a cara, vagabundo” Clauto não entendeu a frase na plenitude de seu significado, mas não hesitou em retomar o caminho da saída. Desnecessário dizer que o medo tomou conta de si. E o olhar indiferente de alguém tomou conta de toda a cena.

2 Comments:
SVETLAAAAAAAAANAAAAAAAAAA
IRINNNNNNNNNNNNNNNNNAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAANAAAAAAAA
NATAAAAAAAAAAAALIAAAAAAAA
NATAAAAAAAAAAAASHAAAAAAAA
MAAAAAAAAARRRRRRRRRIAAAAA
ONDE ESTA POSTA DE HOJA MARCA ?
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