Saturday, March 03, 2007

Capítulos 02, 03 e 04

Cap. 02 – Cama com lençol branco











Cap. 03 – Das causas, superficialidades e do corpo também


Disse o médico, quando do nascimento: Clauto Peuta nasceu com dentes. E cáries. Seu pai pareceu não se importar muito. O que são dentes numa vida essencialmente líquida? São recifes de corais de cálcio. E de tudo mais que há num dente.
É preciso espaço para crescer. foi isso que o destemido Peuta fez na cama de lençol branco acima. Precisava de um substrato material, alguma coisa sobre a qual deveria apoiar sua alma recém saída de algum lugar que ele só vai saber onde fica quando pra lá voltar. Clauto peuta não escolheu seu corpo. Este lhe fora dado sob forma de presente, pelo dono do lugar sobre o qual não temos informação nenhuma.
Era um tipo físico mui particular; atarracado, podia-se dizer que escapara do nanismo por questão de segundos (nem tudo pode ser entendido de primeira, take it easy); dispunha de uma cabeleira espessa e escura, como um ninho de broscolhos, e possuía uma sobrancelha do tipo peça única; a barba, tinha-a sempre por fazer; suas feições eram abrutalhadas e mal acabadas; pareciam indicar que havia sido fabricado com relativa pressa, talvez antes do folhetim eletrônico das 21 hs – e, muito provavelmente, foi este o grande mentor intelectual (?) de sua concepção – e tinha olhos pequenos, de onde não podia se acreditar que coubessem ali olhos humanos. Talvez de coruja, humanos não.


Cap. 04 – Das malas prontas

Clauto permaneceu no útero materno (claro, de quem mais poderia ser o útero?) por três anos e meio. Encontrara uma posição peculiar, de modo que tinha seu olho direito pregado na única janela do recinto, ou seja, o chão era a sua única e favorita paisagem; é bem verdade que as imagens que lhe chegavam neste ângulo em nada favoreciam seu juízo de valor do mundo, mas a preguiça – essa maldita marca indelével no dna pêutico, um estigma, algo que poderia ser retratado com orgulho (?) no brasão dos Peuta, se por acaso um brasão tivessem – impedia qualquer esboço de ação. Clauto foi expulso. Pelo frio. Nasceu, como qualquer um, contra a própria vontade. Bem, se não era contrário ao seu nascimento, também não fora consultado sobre.
Fora, Clauto. O mundo o espera e você não pode se esconder aqui pra sempre.
Foi a primeira e última vez que sua mãe lhe disse.

3 Comments:

Blogger Clauto Peuta said...

Caros leitores... o efeito que deveria haver sobre o capítulo 2 não se anula pela cor deste espaço... Subvertam-o e imaginem "Cama com lençol azul marinho"...

Obrigado.. rs

Sat Mar 03, 06:56:00 AM 2007  
Anonymous Romario said...

eu conheci a mae dele
tenho ate uma filha com ela

Sun Mar 04, 06:55:00 AM 2007  
Anonymous Stalin said...

Partiya Lenina, partiya Stalina
Mudraya partiya bol’shevikov!

Sun Mar 04, 06:19:00 PM 2007  

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